Tudo que você precisa saber sobre investimentos

Eu já falei aqui como eu invisto meu dinheiro. Mas achei que faltou uma explicação melhor do porquê eu invisto assim. Então decidi fazer uma série de posts focados em investimentos para explicar melhor minha estratégia.

E tem gente novata chegando no blog. Inclusive queridos leitores da comunidade FIRE, eu iria ficar extremamente grata se vocês ajudassem a divulgar esse blog para os seus amigos e familiares. Eu sei que nem todos se interessam pelo tema FIRE, e que às vezes esse é um assunto espinhoso, mas sei que muita gente se interessa por investimentos. Então divulguem essa série para quem está perdido no mundo dos investimentos, e quem sabe isso não ajuda a engordar nossa comunidade.

Antes de mais nada, vou sair do armário. Estou fazendo isso aos poucos, ainda há muitos receios de escancarar a minha vida e as minhas finanças por aqui, mas os comentários de vocês têm sido encorajadores. A minha profissão que me levou a atingir minha meta FIRE era de economista do mercado financeiro. Sim, sou formada em economia com mestrado pela USP, e trabalhei em grandes instituições do mercado. E isso me fez largar na frente quando o assunto é FIRE por dois motivos (i) a remuneração era ótima e (ii) eu aprendi muito sobre o mercado financeiro.

Minha profissão me permitiu visitar a cozinha do mercado financeiro, e principalmente, a cozinha dos fundos de gestão ativa. E essa minha experiência me alertou para uma triste verdade: quem fica rico com fundos são os gestores dos fundos, e não o cotista.

Quando eu terminei o mestrado, eu não sabia nada sobre investimentos na prática. Eu sabia o básico da teoria acadêmica sobre investimentos: o modelo CAPM, a teoria do mercado eficiente – que hoje eu vejo a quão valiosa é – e as fórmulas de Black-Scholes. Eu inclusive fui monitora da matéria de Investimentos Financeiros durante a faculdade. Mas naquela época tudo o que eu fiz foi colocar o salário que eu recebia com as monitorias em um fundo DI.

Aprendi sobre “investir” em fundos DI com o meu pai, que provavelmente aprendeu com o gerente do banco dele. Coloquei investir entre aspas porque só depois descobri que aplicar seu dinheiro num fundo com liquidez diária e livre de risco não é bem um investimento. A boa e velha sabedoria de “quem não arrisca, não petisca” também vale para o mundo dos investimentos. Mas o gerente do banco do meu pai provavelmente não sabia disso. Ou até sabia, mas tinha intenções comerciais por trás da venda desses fundos. Ah, e vale falar que esse era um gerente das categorias mais premiuns dos bancos comerciais – os Personalités, Selects e Primes tão famosos no Brasil. E mesmo que meu pai conseguisse superar o patrimônio de R$5 milhões e abrir uma conta num prestigiado Private Bank, acho que também não aprenderia muito sobre como investir. Provavelmente ele migraria de uma carteira de fundos DI para uma carteira de fundos multimercados, com um pouco de fundo de ações – que também iria satisfazer mais os interesses comerciais dos gerentes do que os interesses do meu pai. O AA40 já escreveu um post bem bacana sobre investimentos em fundos de grandes bancos.

Até que eu finalmente deixei a vida acadêmica e comecei a trabalhar no mercado financeiro. Foi aí que eu aprendi que existem muito mais classes de ativos do que o fundo DI. Aprendi que era muito importante ter investimento em moeda forte. E aprendi que mesmo que o fundo DI rendesse os famosos 14% ao ano em 2015, eu poderia ganhar até 18% ao ano se investisse no Tesouro Direto.

Comecei então a investir no Tesouro Direto (que vou chamar de TD daqui para frente), como todo iniciante no mundo dos investimentos. Logo aprendi sobre CDBs de bancos médios, que pagavam mais que o TD, com pouco risco por conta do FGC embora não tivesse a mesma liquidez do TD. Depois finalmente fiz meu primeiro investimento em bolsa comprando o famoso ETF BOVA11 – que hoje eu vejo que não foi a melhor decisão como eu explico mais para frente. Até que eu criei coragem e em 2018, eu abri uma conta numa corretora norte-americana e fiz meu primeiro investimento em dólar, também através de ETFs – que hoje eu continuo achando que foi a melhor decisão.

E desde então eu parei de investir em coisas novas. Não porque eu perdi a vontade e curiosidade sobre novas formas de investimento. Mas porque quanto mais eu lia, mais me convencia de que a carteira que eu tinha criado até então – um misto de TD, com CDBs de bancos médios e ETF de bolsa em dólar – era a melhor. Pesquisei sobre investimentos em Bitcoins, commodities, bolsa asiática, fundos de investimentos imobiliários. Mas ou era uma estratégia recente demais para ter alguma previsibilidade (como Bitcoin e bolsa asiática), ou era uma relação pior de risco e retorno (como FIIs e commodities).

Nesse meio tempo, eu continuava trabalhando no mercado financeiro, penando mais de 12h por dia para achar alguma estratégia de investimento que rendesse mais que a boa e velha carteira do “pré com dólar”. Pré é o nome carinhoso que o mercado financeiro dá para operações no mercado de juros brasileiro. A carteira pré com dólar era basicamente aplicar juros e comprar dólar. E se houvesse vontade de arriscar mais, então o dólar servia para comprar a bolsa norte-americana. Assim, essa estratégia apostava na queda dos juros no Brasil, protegida pelo dólar e ganhando com o mercado de ações da maior economia do mundo.

O “pré com dólar” era a carteira que a gente normalmente “apelava” quando acabava a originalidade no meu trabalho. E ela era exatamente o que eu tinha na minha carteira de investimentos pessoais. Um misto de TD e CDBs (que ganhavam com a queda de juros no Brasil) e ETFs e bolsa norte-americana em dólar (que protegia a operação nos juros e ganhava com o mercado de ações da maior economia do mundo).

Enquanto meu chefe ficava desesperado por novas estratégias de investimentos, enquanto milhares de gurus de finanças invadiam o YouTube com dicas de investimentos infalíveis, e enquanto as pessoas ficavam obcecadas com Magazine Luiza e Bitcoin, eu mantive minha estratégia de investimento.

É claro que eu não era imune a esses berros de que “está todo mundo ficando rico com Bitcoin e você não”. Mas eu tive alguns sábios segurando a minha mão que me ajudaram a me manter firme. Esses sábios eram John Bogle, fundador da Vanguard que escreveu o brilhante livro “O Investidor de Bom Senso”, e o JL Collins, que escreveu a brilhante “Stock Series” que você pode consultar de graça no blog dele ou prestigiá-lo comprando o livro “The Simple Path to Wealth”.

Esses dois livros guiaram minha estratégia de investimento. Mas infelizmente são livros voltados para o mercado norte-americano e eu sinto falta de um bom exemplar brasileiro que adapte essa sabedoria para o nosso mercado. Talvez seja presunção demais achar que eu consigo preencher essa lacuna. Mas vou tentar mesmo assim.

Meu objetivo é que depois que você ler os artigos sobre investimentos, você esteja convencido de que existem apenas duas grandes verdades sobre investimentos (que o mercado de ações sempre sobe e que os juros sempre caem) e que investir através de fundos é uma péssima estratégia. E quem sabe ter insumos suficientes para fazer a sua própria carteira. 

Mas vale lembrar leitores: eu não sou uma consultora financeira licenciada. Quando se trata de tomar decisões financeiras, vocês estão por conta própria. Esse blog deve ser consultado para fins de entretenimento, apenas. E caso realize qualquer transação financeira com base em qualquer lição que você aprender com o blog, você está ciente e concorda que não serei responsável por qualquer perda que você sofrer como resultado de tal ação. Por favor, use o bom senso ou consulte um profissional antes de fazer qualquer investimento.

Não perca nenhum post!

Aposentada aos Trinta

12 comentários em “Tudo que você precisa saber sobre investimentos

  1. Mesmo durante os ciclos de subida de juros você continua optando por juros pré-fixados? Ou nesses momentos você opta pelo pós-fixados?

    Você também aplica em títulos mistos, como o Tesouro IPCA?

    PS: Que legal que a Muquirana apareceu por aqui… 🙂

    1. Oi de novo, rs
      Eu só tenho pós-fixado na minha reserva de Emergência.
      Prefixado eu tenho o suficiente para cobrir o meu financiamento imobiliário (hoje eu pago 7,3% de CET nesse financiamento, então quando tem algum título pagando mais do que isso líquido de imposto, eu aproveito).
      O grosso dos meus investimentos está no IPCA. Como o meu objetivo final é viver da renda dos meus investimentos, ter investimentos protegidos pela inflação me parece a decisão mais tranquila e segura.
      Abs!

  2. Que postagem bacana!!! É muito raro ter a opinião sincera de uma “insider” sobre o “negócio” por trás dos fundos de investimento. A combinação RF Brasil + Bolsa e/ou Moeda Americana realmente parece que agrega o melhor dos dois mundos. Acho que eu já sei a resposta, mas, como ninguém nunca divulga sobre essa combinação simples e rentável?

  3. Salve o pré com dolar!!! Pre com dolar e imoveis no exterior entao, acho imbativel. Agora o mundo esta tao mudado que tem ate pre EM dolar!! Nao precisa de mais nada alem disso. bjs

  4. Excelente! Apesar de não ter blog, acompanho a firesfera há uns 3-4 anos, além de já ter tido assinaturas de reseaches e ter assistido cursos sobre investimentos globais… simplificar a carteira com renda fixa brasileira e ações americanas( ignorando o resto do globo) me parece eficiente o suficiente para quem não quer se debruçar em estudos financeiros, claro tendo também alguma reserva de valor como imóveis( urbanos ou rurais)… agradeço a exposição e ensinamentos dos posts pois aumenta nossa convicção de que estamos no caminho certo…

    1. Olá Junior!
      É isso, pré com dólar é muito eficiente. E eu ouso dizer que mesmo quem está debruçado e estudando muito, tem dificuldades de bater essa combinação maravilhosa. Eu passei 8 anos da minha vida fazendo isso, dedicando 12h do meu dia a esses estudos, e não consegui. Talvez tenha sido incompetência minha, rs, mas quanto mais eu leio, mais convicção eu tenho que quem “bate” o mercado o faz mais por uma questão de sorte do que de competência.
      Abs!

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