O que a Copa tem me lembrado sobre apostas financeiras

Eu não acompanho futebol, mas eu amo a copa do mundo. Amo o clima, a incerteza dos resultados e poder usar a camiseta do Brasil sem acharem que isso entrega minha opção política. É a única época que eu tenho paciência para assistir aos 90 minutos do jogo.

Na última copa do mundo eu tinha um chefe que não me liberava nem nos jogos do Brasil. Minha vingança agora seria assistir a TODOS os jogos. Sim, eu acordei às 7h da manhã para assistir a Gales vs Irã. Eu tinha muita vontade reprimida de curtir uma copa.

Mas eu quis adicionar emoção para assistir aos jogos e entrei para um site de apostas esportivas. Coloquei o valor mínimo de 30 reais para abrir a conta e comecei a fazer as minhas apostas. O mínimo para cada aposta era 1 real então nem pensei muito e já fiz minha primeira aposta.

O retorno era uma tentação. Na primeira aposta que eu fiz, eu ganhei 163%. Só que eu apostei 1 real e ganhei 2,63. Foi natural pensar que se eu tivesse apostado 100 reais, já dava para pagar um jantar legal. Se eu tivesse apostado 1.000, dava para fazer uma viagem curta com o ganho. Se eu tivesse apostado 10.000, já dava para ir pra Disney de novo. Quase ignorando que o resultado mais provável seria perder os 10.000.

Como eu ouvia os comentaristas dos jogos o dia todo, decidi seguir os conselhos deles. Como quem ouve analistas de opções ou aqueles analistas de day trade que ficam o dia todo ao vivo no YouTube. Eles demonstraram tanta convicção na análise que parecia que eles sabiam antecipadamente o resultado do jogo.

Seguindo o conselho deles, decidi apostar que os EUA iam ganhar do País de Gales, e ter um retorno fácil de 36%. Era um retorno menor do que a minha aposta anterior, mas o ganho parecia certo. O EUA era um time melhor, Gales tinha ficado de fora das últimas copas. A análise fundamentalista era clara. Mas o resultado foi outro. E eu perdi meu 1 real apostado.

Foi aí que fiquei aliviada de ter apostado só 1 real e não os 10 mil. E lembrei que a gente só aposta aquilo que pode perder. Não tem viagem pra Disney de graça e não tem jantar grátis.

Decidi mudar de estratégia e entrar só depois que o jogo ficasse mais claro. Assisti ao primeiro tempo do jogo da Argentina contra Arábia Saudita, e quando a Argentina marcou o primeiro gol ficou claro que ela ia ganhar aquele jogo. Logo em seguida entrei no site de apostas, mas vi que era tarde demais. O mercado já tinha ajustado e precificava um retorno de apenas 1%.

O retorno era muito baixo e decidi não apostar. Nem preciso dizer que nem aqueles 1% se concretizaram. Brasileiro não sabe quanto a Selic está hoje, mas não tem brasileiro que não saiba da derrota da Argentina no primeiro jogo da copa.

Seguir as análises dos especialistas fazia meus 30 reais irem embora rápido. Os resultados mais improváveis estavam acontecendo, era a copa das zebras. É claro que no longo prazo esses especialistas até poderiam estar certos. Mas minhas apostas eram no curto prazo, naquela partida específica. E lembrei de mais uma lição importante: o tempo é o melhor amigo do investidor.

Fiquei nervosa. Mudei de estratégia e comecei a arriscar mais. Fiz aquelas apostas que pagavam 10 para 1. Eram arriscadas, mas a Argentina e Alemanha tinham perdido o primeiro jogo da copa, então tudo poderia acontecer. Eu só precisava ter sorte. Mas a sorte não veio e eu perdi os 30 reais antes mesmo de terminar a fase de grupos.

Essa minha experiência com o site de apostas me lembrou das lições importantes que eu já incorporei como investidora. Por sorte, eu só apostei 30 reais. Meu patrimônio da aposentadoria ainda respeita as regras básicas de investimentos:

1.          Apostas são diferentes de investimentos. Aposte só aquilo que você pode perder, porque esse é o resultado mais provável;

2.          Especialistas não sabem o futuro (ainda menos o curto prazo);

3.          O mercado é eficiente e já precifica os resultados quando eles parecem óbvio;

4.          O tempo é o melhor amigo do investidor;

5.          Quando você deixa a emoção dominar suas decisões, é quando você perde tudo!

Nos comentários: já cederam a tentação de apostas financeiras na vida real?

Aposentada aos Trinta

12 comentários em “O que a Copa tem me lembrado sobre apostas financeiras

  1. Aposto em loterias. Não preciso falar mais nada né…kkk

    mas está dentro daquilo que vc comentou. Só aposte aquilo que pode perder.

    Seus posts são excelentes. Quanta clareza!

  2. Gostei muito da analogia e realmente só apostar o que podemos perder. De apostas só um joguinho na Lotofácil de vez em quando… vai que né? kkkk
    Estou adorando as postagens

  3. Um post muito interessante e que faz refletir. Percebo que muitas pessoas desconhecem probabilidade e estatísticas básicas. Apostam com base nos “comentaristas experts” e perdem quantidades expressivas de dinheiro. E conheço muitos que tem contas nas casas de apostas.

    Fazendo uma analogia de “investimentos”, considero o sistema de Copa do Mundo como “Curto Prazo” e no curto-prazo as possibilidades de ganho são pequenas e a possibilidade de ruína total é elevada. Portanto não devem ter tantos aportes.

    E “Longo Prazo” eu faço analogia com um campeonato nacional, estilo “Campeonato Brasileiro” ou “Campeonato Espanhol” ou de outra nacionalidade, são campeonatos longos com dezenas de partidas. E o campeão é aquele que possui maior regularidade (ganhando mais que perdendo ou empatando). É óbvio que pode acontecer percalços no caminho, mas o time mais preparado tenderá a ganhar mais e ser campeão. Portanto a possibilidade de um time ser campeão fica restrita a um seleto grupo.

    E eu, de maneira similar a você, não invisto pesado no curto prazo. Sou também um adepto do longo prazo, inclusive no futebol.

    Abraços,

  4. Excelente post!

    Quando apostamos o que não temos disponível para isso, os resultados podem ser bem amargos…. Ou no mínimo, frustrantes. Por isso, a prioridade deve ser estudar, estudar e estudar.

    Não dá para viver de apostas, que pode dar certo uma vez e errado nas outras cem.

    É preciso planejar melhor os passos. E se assim, muitas vezes já erramos, imagine sem isso…

    https://simplicidadeeharmonia.com

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