5 anos FIRE – Os números

Muita gente tem curiosidade sobre os números da minha vida FIRE — e eu entendo. Ao mesmo tempo, confesso que mostrar esses números sempre me deixa muito exposta. É algo que eu já fiz aqui no passado, mas que, com o tempo, tenho tido cada vez menos vontade de repetir. Não por falta de transparência, mas porque percebo como esse tipo de conteúdo facilmente gera interpretações equivocadas sobre o que eu defendo.

Falar de gastos e rendas tende a criar âncoras perigosas. Como se o FIRE fosse atingir um número mágico — R$5 mil, R$10 mil por mês — e pronto, problema resolvido. Isso ignora o óbvio: cada pessoa tem uma história, prioridades e contextos completamente diferentes. Eu quero, sim, que as pessoas se sintam motivadas a questionar seus gastos e buscar uma vida mais leve. O que não faz sentido é transformar isso em uma régua única, como se houvesse um valor “correto” para se viver bem.

Além disso, num país como o Brasil, com inflação estruturalmente alta e instável, números envelhecem mal. Eles podem criar uma falsa sensação de segurança — ou, pior, de fracasso — quando, na prática, o que importa é a lógica por trás das escolhas, e não o valor nominal em si.

Ainda assim, sempre que vocês aparecem por aqui, comentam e se identificam, eu lembro por que vale a pena compartilhar. Por isso, este texto não deve ser lido como modelo, meta ou recomendação, mas como o retrato de uma trajetória específica. Se ele ajudar alguém a enxergar o FIRE de forma menos idealizada e mais ajustável à própria realidade, então já cumpriu seu papel.

Gastos 

Do lado dos gastos, eu me aposentei buscando uma renda mensal de R$5 mil para cobrir minhas despesas no Brasil, sem considerar viagens. Minha meta era que os investimentos em imóveis e renda fixa gerassem essa renda mensal. Corrigidos pelo IPCA, esses gastos estariam hoje próximos de R$6,5 mil.

Talvez por medo de a independência financeira não dar certo, nos meus dois primeiros anos de FIRE eu gastava algo em torno de R$4 mil por mês, bem abaixo do planejado.

Hoje isso mudou, e meu custo de vida está acima dos R$6,5mil por mês. Mas calma: a culpa não é da inflação, nem de um abandono da frugalidade. A verdade é que tive surpresas positivas do lado da renda e dos investimentos, que me permitiram gastar mais sem comprometer a minha independência financeira.

Os principais motivos desse aumento foram a mudança de apartamento — que adicionou cerca de R$3 mil por mês em aluguel, IPTU e condomínio (apenas a minha parte, já que divido com meu marido) e a contratação do Wellhub, benefício da empresa do meu marido. Um luxo desnecessário, eu sei, mas que tem aumentado bastante meu prazer no dia a dia: mais modalidades de atividade física e uma massagem semanal.

Entre as despesas que cresceram acima da inflação, dois destaques. O primeiro é o plano de saúde, que corrigido pelo IPCA deveria estar em torno de R$750, mas hoje custa R$950, refletindo reajustes da ANS e mudança de faixa etária. Algo que era de certa forma esperado. O segundo é o condomínio do nosso studio, que subiu de R$320 para quase R$700 — um aumento expressivo e inesperado, que conseguimos compensar. Mas confesso que isso me desanimou em relação a ter imóveis na carteira, afinal a taxa de condomínio é um custo sobre o qual temos pouquíssimo controle.

Por outro lado, algumas contas praticamente não aumentaram, como utilities (talvez porque o apartamento não bate sol e não usamos ar-condicionado), e minha conta da internet que, inclusive, caiu de R$140 para R$100, com melhora clara de qualidade.

Já os gastos com viagens ficaram acima do esperado, não só pelo aumento dos preços em si, mas porque tenho viajado mais do que planejava. Isso reflete o bom desempenho da minha carteira no exterior, que faz com que a retirada de 4% ao ano gere um orçamento confortável para viagens.

No mais, sigo sem ter carro, sem plano de celular e sem pagar alguém para limpar meu apartamento. Continuo preferindo andar de transporte público ou a pé do que pedir um Uber. Continuo sem desejo de ter filhos ou pets. Também sigo sem gastos com manicure, corte de cabelo e cosméticos caros. Continuo sem gastos com procedimentos estéticos e abraçando as marcas da velhice no meu rosto. Continuo preferindo comprar roupas em brechós e no site do Enjoei Pro. Ainda gosto de fazer rodízio de streamings, em vez de pagar vários serviços todos os meses. Sigo buscando entretenimento gratuito ou muito barato em São Paulo. E continuo cozinhando boa parte das minhas refeições em casa.

Investimentos

Se, do lado dos gastos, as surpresas têm sido mais “desanimadoras”, a verdade é que isso não tem sido motivo de preocupação, porque houve surpresas muito positivas do lado dos investimentos.

Na renda fixa no Brasil, as surpresas positivas foram duas — e ambas tiveram impacto direto na forma como eu penso a minha taxa segura de retirada.

A primeira foi o lançamento do Renda+. Esse produto mudou de maneira relevante a equação do meu planejamento, porque ele permite transformar parte do patrimônio em uma renda previsível ao longo do tempo, reduzindo bastante a incerteza típica da fase de aposentadoria. No meu caso específico, o Renda+ fez ainda mais sentido porque eu não tenho a preocupação de preservar o principal ao longo da vida. Não ter herdeiros me dá liberdade para consumir patrimônio de forma planejada, e o Renda+ conversa muito bem com essa lógica de “usar o dinheiro para viver”, e não apenas para acumular.

A segunda surpresa positiva foi o aumento dos juros reais no Brasil. Quando me aposentei, os juros no Brasil estavam muito baixos, então eu havia feito minhas contas partindo de premissas bastante conservadoras. A elevação dos juros reais ampliou o retorno esperado da renda fixa e, consequentemente, aumentou a taxa segura de retirada sem que isso implicasse assumir mais risco. Em conjunto, esses dois fatores — um novo instrumento de renda e um ambiente de juros mais altos — criaram uma folga importante no meu planejamento, tornando a vida FIRE menos apertada do que eu inicialmente imaginava.

Além disso, dizer que meus gastos com moradia subiram R$3 mil por mês não é exatamente verdade. Isso porque o studio onde morávamos passou a operar como Airbnb e, até aqui, tem sido uma boa fonte de renda — apesar do aumento expressivo do condomínio. Na prática, a renda do Airbnb acaba absorvendo uma parte relevante desse custo adicional de moradia. 

E, por fim, do lado dos investimentos em renda variável no exterior, essa tem sido, sem dúvida, uma das maiores surpresas. Nos últimos cinco anos, o S&P 500 apresentou um retorno médio em torno de 9% ao ano acima da inflação oficial dos Estados Unidos. Para quem sempre trabalhou com a expectativa de um retorno real da ordem de 4%, esse desempenho ficou muito acima do cenário base — algo que está longe de ser uma premissa razoável de longo prazo.

É claro que pode haver uma correção a qualquer momento, o que reduziria o meu orçamento anual para viagens. Algo para o qual, honestamente, eu me sinto preparada. Tenho viajado tanto ultimamente que devo dizer que as viagens têm perdido um pouco do brilho — e talvez eu não me importasse de passar um ano inteiro sem viajar, apenas para evitar sacar os 4% em um momento de crise.

Renda

Aqui, a surpresa foi claramente positiva. Ainda quando eu trabalhava, comecei a oferecer consultorias financeiras a preços baixos para amigos e familiares. Eu imaginava que isso pudesse gerar alguma renda no futuro, mas jamais que se tornaria uma fonte relevante na aposentadoria.

A verdade é que tudo o que fiz — minha formação acadêmica em economia, minha carreira no mercado financeiro e a minha própria experiência como uma aposentada jovem — acabou se tornando um ativo muito importante. Um ativo que gera uma renda menos passiva, é verdade, mas que ainda assim é um ativo. Hoje eu atendo dois dias por semana, algo que eu nunca imaginei ser possível. Para quem trabalhava 60 horas por semana, eu não posso dizer que renunciai à minha liberdade com a consultoria. 

O que aprendi é que eu não detesto trabalhar. Gosto genuinamente de me envolver com a vida financeira das pessoas, ajudá-las a tomar decisões mais embasadas e construir carteiras de investimentos alinhadas aos seus objetivos. Ter a minha própria consultoria alinhou algo que eu gosto de fazer com uma demanda real do mercado.

Ainda assim, decidi não incorporar essa renda ao orçamento mensal e sigo pagando todas as minhas contas apenas com a renda dos meus investimentos. A renda das consultorias foi usada para criar uma reserva para pagar a minha faculdade de filosofia, financiar algumas viagens e, claro, aumentar o patrimônio. 

Faço isso porque gosto de saber que não dependo da consultoria para viver. Essa independência muda completamente a relação que eu tenho com o trabalho. Ela me permite dizer “não” quando algo não faz sentido, escolher o ritmo, o tipo de cliente e a forma como eu entrego o serviço. Se um dia a consultoria deixar de ser prazerosa — seja por cansaço, mudança de interesses ou simplesmente porque meu ciclo com ela se encerrou — eu posso parar sem medo e sem comprometer a minha qualidade de vida. Trabalhar por escolha, e não por necessidade, é um tipo de liberdade que eu não abriria mão.

Um recado importante

Honestamente, este não é um dos meus posts preferidos. Eu sei que ele mata a curiosidade de vocês, mas muita coisa do que aconteceu na minha trajetória foi aleatória demais para que eu usasse este texto como base ou referência sólida.

Sim, eu dei sorte. Dei sorte de os juros no Brasil terem subido, de ter surgido um novo produto de investimento e de eu ter conseguido construir uma consultoria lucrativa. Também dei sorte com o bom humor do mercado de ações lá fora. Reconhecer isso é importante, porque histórias como a minha correm sempre o risco de parecerem mais replicáveis do que realmente são.

Por isso, eu jamais diria para alguém: “mire em uma carteira que te renda R$ 5 mil por mês, mas na prática você pode acabar gastando bem mais que isso”. Eu continuaria insistindo em fazer as contas com a regra dos 4%. Eu não faço ideia de como será o mercado nos próximos anos e, diante dessa incerteza, sempre preferi errar pelo excesso de conservadorismo nas contas do FIRE.

Há exceções, claro. Se você já tem hoje todo o patrimônio necessário para se aposentar e consegue aproveitar o patamar elevado dos juros reais no Brasil, talvez os 4% não façam tanto sentido. Mas esse é um caso bastante específico. Se as suas contas apontam para uma aposentadoria que ainda está a alguns anos de distância, eu seguiria usando a regra dos 4% como um guia prudente — não como uma verdade absoluta, mas como uma margem de segurança.

Quando o assunto é geração de renda ativa na aposentadoria, eu entendo completamente o apelo. Já escrevi, inclusive, sobre Coast FIRE aqui. Mas essa é uma decisão profundamente pessoal. No meu caso, empreender não foi fácil: foram anos ganhando muito pouco com as consultorias até que elas se tornassem uma fonte de renda minimamente previsível. Olhando para trás, percebo que eu teria tomado decisões bem mais difíceis — inclusive reduzindo a qualidade do meu trabalho ou me associando a pessoas com valores muito diferentes dos meus — se dependesse dessa renda para sobreviver. É justamente por não depender dela que hoje consigo oferecer um trabalho de altíssima qualidade, profundamente alinhado com aquilo em que acredito.

Eu já pensei muito sobre pessoas que são referências de vida profissional para mim. E uma das pessoas que eu mais admiro é a Rita Lobo. Em um podcast, ouvi ela contar que, no começo do Panelinha, a indústria de alimentos chegou a oferecer muito dinheiro para que ela fizesse propaganda de seus produtos. Mas o propósito dela era ensinar as pessoas a cozinharem, porque ela acreditava que comida saudável se faz em casa — algo que vai totalmente na contramão dos ultraprocessados e da lógica da indústria de alimentos. Outra youtuber de culinária que eu acompanhava, por exemplo, cedeu à pressão e passou a fazer marketing de alimentos industrializados. Poucos anos depois, fechou o canal. Já a Rita seguiu em frente, encontrou um jeito de tornar o Panelinha rentável — hoje ela é embaixadora da Electrolux no Brasil, tem produtora, marca própria de utensílios — e a empresa tem mais de 20 anos.

É isso que eu miro. Não tenho a intenção de ficar rica rapidamente com este blog, com a consultoria ou com a venda do meu livro. Criei o site da forma mais agradável possível para a experiência do leitor, mesmo que isso signifique abrir mão de receita com anúncios — honestamente, hoje há sites que me dão até agonia de acessar, de tanto anúncio pipocando no meio do texto.

Felizmente, eu não preciso desse dinheiro. O que realmente me deixará satisfeita com a minha trajetória é se o Aposentada aos Trinta conseguir deixar um legado duradouro na educação financeira no Brasil. Esse é um propósito muito claro para mim. E, quem sabe, no futuro, eu ainda possa me surpreender com formas de ganhar dinheiro com isso sem renunciar aos valores que considero inegociáveis.

Por fim, se você está muito cansado do seu trabalho, a minha sugestão continua sendo reduzir ao máximo o seu custo de vida para atingir o FIRE tradicional o quanto antes. Nos primeiros anos da minha vida FIRE, eu gastava realmente pouco — e isso criou uma resiliência enorme. 

Hoje eu sei que, se cenários de cauda nos investimentos se materializarem — aqueles eventos raros, mas potencialmente dolorosos — a minha capacidade de viver com pouco ninguém me tira. Eu já vivi com muito menos do que vivo hoje, fiz escolhas conscientes para reduzir custos e adaptei minha vida a um padrão enxuto sem sentir que estava abrindo mão do que era essencial. Se fosse necessário, eu e meu marido voltaríamos tranquilamente a viver em 27 m² – na verdade, no nosso primeiro ano de aposentados vivemos em 6 m², dentro de um trailer. Não faria isso como um sacrifício, mas como um ajuste possível dentro de um leque de escolhas que eu sei que consigo sustentar. 

No fim das contas, olhar para os números da minha vida FIRE diz menos sobre quanto eu gasto ou quanto eu ganho e mais sobre o tipo de liberdade que eu construí ao longo do tempo. Os números mudam, os cenários mudam, o mercado muda — e, no Brasil, isso acontece rápido. O que permanece é a lógica das escolhas: gastar muito menos do que se ganha, investir o restante com disciplina, e buscar ganhar mais com o tempo. 

Se tem algo que esses cinco anos me ensinaram é que o FIRE não é um estado definitivo, nem uma fórmula exata. Ele é um processo contínuo de ajuste, de humildade diante da incerteza e de disposição para viver com menos quando necessário — e aproveitar mais quando possível. A planilha ajuda, mas não substitui valores claros, resiliência e capacidade de adaptação.

Por isso, se este texto servir para alguma coisa, que seja como um lembrete: não persiga números absolutos, nem copie trajetórias alheias. Persiga autonomia. Persiga tempo. Persiga escolhas que façam sentido para a sua vida, no seu ritmo, com as suas prioridades. O resto, honestamente, é ruído.

 

 

Respostas de 30

  1. Excelente texto como sempre! Em tempos de vidas perfeitas no instagram, ler sua sinceridade é um frescor. Se quiser de uma sugestão de tema, ideias de como encaixar um carro no orçamento seria interessante, infelizmente, como você já até mencionou, no inteiror do brasil é impossível viver sem carro.

      1. Nem toda cidade do interior é pequena, e normalmente são mais expandidas territorialmente que capital por terem menos predios. Mas o pior é entre cidades, pra visitar meus pais em outra cidade não existe ônibus intermunicipal.

    1. Obrigada!
      Infelizmente, tenho pouquíssima autoridade (e interesse, rs) para escrever sobre compra de carro.
      A única coisa que eu sei é que o mais eficiente possível é comprar um usado, pagar a vista, e pesquisar pelo modelo com menor custo de manutenção possível (IPVA, seguro, peças, eficiência de combustível, etc).

  2. Lilian, muito legal a atualização após 5 anos , isso dá incentivo aqueles que estão no meio do caminho.

    umas perguntas, que não recordo se já escreveu em algum post:
    – o que pensa de seguro de vida ? vc faz ?
    – você contribui com o INSS, para obter renda governamental no futuro ?

    Obrigado..

    1. Oi Caio!
      Não faço seguro de vida. Já tenho patrimônio o suficiente para me “assegurar” sozinha. E tenho muitas críticas ao produto. Para quem pensa em termos de probabilidade, dificilmente ele faria sentido.
      Continuo contribuindo para o INSS porque sou obrigada por conta do meu CNPJ na consultoria. Mas definitivamente não conto com isso. É um sistema que está tão quebrado, que eu acredito que a minha geração será bastante penalizada no benefício.

      Abs!

  3. q lindo texto, me emocionou :) acho q vou viajar esse ano e fiquei feliz pq nao o faço desde 2018! tô sentindo aquele quentinho no coração e sinto q eh isso q vc nao sente mais, ne? Feliz por vc, Li e q alegria de ter te encontrado aquele dia numa padaria :)

  4. Primeiro, parabéns pela coragem de se abrir assim , realmente é uma exposição, e nao sei se eu teria essa coragem (talvez porque vc sempre respirou o assunto finanças, então isso é menos um “tabu”). Acho que vc está certissima: se tem uma coisa que eu aprendi esses anos todos lendo o seu e varios outros blogs sérios relacionados ao FIRE e lendo os comentarios das pessoas, é: NÃO existe uma fórmula, cada pessoa tem planos de acumulação e desacumulação diferentes, graus de frugalidade diferentes, expectativas diferentes… Mas, ter clareza do objetivo (priorizar a liberdade) e ter flexibilidade são ingredientes fundamentais. Abço

    1. Exatamente. O importante é o ponto de chegada, é isso que a gente tem em comum. Mas os caminhos são diversos. Talvez eu até julgue alguns caminhos como mais tortuosos do meu ponto de vista, mas que podem fazer sentido para algumas pessoas. A gente nunca pode ignorar o componente humano do processo! Abs

  5. Obrigado por mais um excelente texto! Por mais que seja uma curiosidade dos leitores, é interessante saber dos números. Ainda mais pra saber que é um cenário possível, que não precisa de um capital tão grande. Vemos muito influenciadores por ai, dizendo que não da para se aposentar com menos de R$ 10/15/20mil reais, etc… E você deixa claro como cada realidade é uma.

    Agora a questão do plano de saúde, não lembro agora se você já trouxe essa questão no blog. Mas como se preparar para aumentos tão acima do IPCA? Meu receio é me aposentar com um valor muito próximo ao meu gasto de hoje… e esses aumentos acima da inflação me colocarem numa situação dificil, já que costumo ter meus gastos bem controlados, e não teria uma ‘gordura’ de onde cortar para compensar esse aumento.

  6. Lilian, concordo tanto com esse conceito! Perseguir um propósito de liberdade econômica é entender que, assim como a economia flutua, nossas condições também podem flutuar. Estabilidade é importante, mas não é um conceito estagnado no tempo. Sobre não se preocupar em preservar o principal, eu digo que é onde mais me pega o planejamento da retirada, isso porque ao mesmo tempo que concordo plenamente que não faz sentido levar dinheiro pro caixão (e eu também não tenho herdeiros), não me sinto confortável em dilapidar o capital. Atualmente tenho mirado em alcançar uma renda minimamente estável com Fundos Imobiliários que pague minhas despesas mensais básicas (incluindo o reinvestimento de 30% para manutenção inflacionária). Em paralelo tenho investimentos em ações no Brasil, ETFs no exterior e tesouro direto com juros semestrais para viagens e despesas menos essenciais. Talvez nesse segundo grupo eu me incomodasse menos com uma eventual dilapidação, sabendo que o primeiro paga meus boletos. Outra coisa que me traz uma sensação de segurança imensa é ser dona da minha casa, me deixa muito em paz. É realmente difícil apontar um caminho universal, mas se espelhar em quem a gente admira certamente ajuda demais. Seu blog é um lugar seguro na internet para o movimento FIRE. Com certeza seu propósito está se realizando por aqui. Forte abraço!

    1. Olá Kah!

      Tive uma discussão recente muito interessante como uma amiga sobre o medo de usar a regra dos 4% e sentir que está “dilapidando o capital”.
      Eu entendo o apelo da renda mensal, do dinheiro pingando na conta na forma de dividendos ou aluguéis.
      Mas isso não é necessariamente o mais eficiente. E por eficiente eu quero dizer: talvez isso te impeça de acumular mais riqueza e até de ter uma renda passiva menor vinda dos investimentos.
      Um exemplo clássico disso é o próprio Warren Buffet. A Berkshire Hathaway não distribui dividendos porque ele acredita que reinvestir o lucro na própria empresa gera mais valor a longo prazo do que pagá-lo aos acionistas. Quem ficou com ele nos últimos anos, chegou muito mais longe com o dinheiro, do quem preferiu empresas que pagassem dividendos.

      Obrigada pelo comentário!

  7. Quando vc menciona seus gastos, esse é o valor total da despesa do casal ou somente sua parte?

    Quanto às viagens, seria interessante se você compartilhasse mais conosco. =)
    Essa é uma das grandes metas da comunidade FIRE e temos interesse em saber mais.

    Atualmente, faço 2 viagens internacionais por ano (uma pela América do Sul e outra para algum país da Europa), além de pequenas viagens pelo Brasil. Esse é um dos grandes motivos de não me declarar IF ainda.. não teria renda para cobrir essa quantidade de viagens e viver confortavelmente (para os meus padrões). Como vc investe especificamente para viajar? Seria vendendo IVVB11 para isso? Quantas viagens internacionais por ano?

    1. No blog tem a categoria “viagem” onde ela relata as viagens ao longo do ano.

      Em resumo:
      2025 – Itália
      2024 – Portugal e Orlando
      2023: Paris

      Não acredito que para uma pessoa que realmente goste de viajar seria possível dizer “tenho viajado tanto ultimamente que as viagens perderam o brilho”, mas cada um cada um..

      1. Quem gosta de viajar e viaja com muita frequência há muitos anos, chega uma hora que a viagem por melhor que seja perde aquele ar de novidade, de encanto. Alternar tipos de viagens e até viagens mais simples ajudam a tornar as viagens mais longas e caras mais especiais. Acho que foi isso que ela quis dizer.

    2. É somente a minha parte. Aqui temos separação total de bens e de contas, para nós fez mais sentido assim. Nosso casamento fica restrito ao campo dos afetos!

      Eu estou começando a suspeitar que o desejo por viagens está mais relacionado a um desejo de fugir da vida/ rotina que se tem. Eu também tinha esse desejo claro. Viajei 1 ano inteiro assim que me aposentei. Em 2023, viajei quase metade do tempo. Ano passado, chutei o balde e fiz 4 viagens internacionais. Mas algo mudou. Esse ano não tenho nenhuma viagem marcada, e estou feliz assim. Parece que finalmente achei uma rotina que eu gosto de viver. Percebi que até as viagens podem ser feitas em excesso. E todo excesso precisa ser repensado. Estou em busca de um equilíbrio melhor porque percebi que ano passado as viagens “atrapalharam” a vida que eu estava tentando construir. Ainda estou elaborando tudo isso, e com certeza vem post sobre o tema em breve ;)

  8. Oie! Obrigada por esse texto, com números, com detalhes, com trajetória, mesmo sendo desconfortável para você em algumas partes se expor. Você inspira todas nós. Louca para ler seu livro. Um abraçoooo

  9. Nossa, cada texto seu é um abraço quentinho pra continuar!

    Às vezes é tão difícil, a caminhada tão solitária… Mas você tem o dom de usar as palavras necessárias pra nos trazer de volta.

    Continua, Lilian! Teu trabalho é muito incrível 🤍

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