Caros, como era de se esperar, tenho dedicado as últimas semanas à divulgação do meu livro. O processo tem sido trabalhoso, mas extremamente gratificante. É curioso como a aposentada aqui realmente ressignificou a relação com o trabalho.
Essa talvez não seja a atividade com a maior remuneração por hora da minha vida — mas a gratificação, a sensação de estar deixando um legado e, de certa forma, imortalizando minhas memórias dessa conquista, trazem uma recompensa não monetária difícil de mensurar.
Por conta disso, não tenho um post novo para vocês hoje. Mas não vou deixá-los órfãos de conteúdo: segue abaixo um trecho inédito do meu livro para vocês degustarem.
Vou me sentir muito honrada com quem decidir ler o livro completo — e mais ainda com quem puder vir aqui me contar o que achou!
“Sempre que eu falo sobre cortar gastos ou aprender a viver com menos, muita gente associa isso automaticamente a uma vida sem prazer. Como se economizar fosse sinônimo de abrir mão do que é bom. Mas o que aprendi ao longo do caminho rumo à independência financeira foi justamente o oposto.
Eu sei, pode parecer contraintuitivo. Mas deixe-me explicar.
O movimento FIRE defende uma vida frugal — e esse conceito ainda é pouco familiar para a maioria das pessoas no Brasil. Frugalidade não tem a ver com privação, e sim com intenção. É a prática de viver de forma simples, moderada e econômica, priorizando o essencial e evitando desperdícios — especialmente no consumo de dinheiro, tempo e energia.
E aqui entra um ponto crucial: frugalidade não ignora a importância do prazer. Pelo contrário, ela parte do entendimento de que os prazeres mais genuínos não estão na abundância, mas na qualidade e na medida certa. O prazer, para ser prazeroso de verdade, precisa ser raro, consciente — e sustentável.
Por um bom tempo, eu sentia muito prazer em comprar roupas novas. Havia algo especial em vestir uma peça ainda não lavada, sem bolinhas, com as cores intactas. Mas se eu me acostumasse a usar apenas roupas novas o tempo todo, esse prazer deixaria de existir. Primeiro porque o hábito anula o encantamento. E segundo porque seria financeiramente e ambientalmente insustentável.
A frugalidade propõe justamente esse equilíbrio: resgatar o prazer nas coisas simples. Entender que, se mimarmos demais o corpo com experiências espetaculares o tempo todo — como se toda troca de roupa precisasse vir com uma etiqueta nova — acabamos sabotando a nossa capacidade de aproveitar o que é comum. E o pior: quando não tivermos mais acesso ao “espetacular”, vamos sofrer. Não por necessidade, mas por costume.
Gosto do exemplo da roupa porque ele escancara uma verdade incômoda. Seria catastrófico para o planeta se todos decidissem descartar as roupas depois de poucos usos. Mas há também um nível mais íntimo e silencioso de insustentabilidade: o financeiro.
A maior parte das pessoas atinge o pico da sua renda entre os 40 e 50 anos. Se você monta um estilo de vida que consome 100% dessa renda, recheado de luxos e confortos diários, como espera sustentá-lo aos 70 ou 80 anos, quando sua renda provavelmente será menor? O corpo envelhece, o trabalho cansa, e a conta não fecha.
A frugalidade propõe um outro caminho. Quando você aprende a extrair prazer das experiências mais simples — e sustentáveis —, o jogo vira a seu favor. Você descobre que não precisa de tanto para viver bem. Que não comprar pode ser tão libertador quanto comprar. Que usar o que você já tem com carinho, e cuidar para que dure, também pode ser fonte de prazer.
E, mais importante: você começa a perceber que cada pequeno prazer adiado libera espaço no orçamento para escolhas maiores. Não comprar uma roupa nova hoje pode significar investir no seu futuro — e, lá na frente, poder comprar com mais liberdade e menos culpa. A frugalidade, assim, se transforma em uma ferramenta poderosa. Não de restrição, mas de expansão.
Ela é o que sustenta o caminho para a liberdade.”
Respostas de 8
Parabéns !!! Comprei o livro físico ( gosto de papel) esperei um pouquinho mas ele chegou, lindo ! Estou lendo com calma e amando!
Quero passa-lo para minhas irmãs e amigas,
Parabéns por ele estar no próximo clube do Livro do Invista
E amo seu blog ele explica cálculos com detalhes, coisas que pareciam tecnicamente difíceis, ficam simples
Sua didática e escrita são fluidas e ótimas
Ahhh, que alegria ler sua mensagem! 🥰 Muito obrigada por comprar o livro, esperar, e ainda dividir essa experiência comigo. Fico feliz demais de saber que a leitura esteja sendo especial e que você queira compartilhar com suas irmãs e amigas — é o maior elogio que eu poderia receber.
Vai ser um prazer enorme ver o livro no Clube do Livro do Invista, e saber que meu blog ajuda a simplificar o que parecia complicado me deixa com o coração quentinho. Obrigada pelo carinho e pelo incentivo! 💛
Muito ansioso para ler. Vou comprar e ler pra comemorar quando atingir meu próximo milestone na jornada FIRE
Que demais! Fico feliz em saber que o livro vai te acompanhar nesse momento especial da jornada. Espero que a leitura te inspire ainda mais e te lembre que você não está sozinho nessa busca por uma vida mais livre e com sentido.
E já deixo meus parabéns adiantados pelo próximo marco!
Parabéns pelo livro. Pelo trecho aqui publicado dá para perceber que é um livro que daria de presente para aqueles que queremos bem e muitas vezes faltam palavras para convencê-los no caminho Fire.
Muito obrigada! Fico muito tocada em saber que você daria o livro de presente, acho que essa é uma das maiores declarações de confiança que um autor pode receber.
Escrevi pensando justamente nisso: como encontrar palavras que abram caminhos, que toquem quem a gente quer bem, sem impor nada… só mostrando que outra vida é possível. Espero que ele te ajude a plantar boas sementes por aí
Assim que puder vou comprar o livro. Estou curiosa, mas certa de que o conteúdo é interessante na mesma proporção do blog.
Descobri o blog esse ano e foi como abrir uma nova perspectiva, que vinha procurando , mas que não sabia que existia. Os assuntos relacionados tanto ao trabalho quanto ao dinheiro me interessam bastante porque vejo (agora com mais clareza) que ambos são muito centrais na nossa vida e, por isso mesmo, alvo de muita disputa e captura, que vão nos afastando deles, criando relações complicadas, ruins, alienadas.
Poxa, que mensagem maravilhosa de ler. Muito obrigada pelo carinho! Fico feliz demais em saber que o blog abriu uma nova perspectiva pra você, acho que esse é o maior elogio que eu poderia receber.
Também demorei a perceber o quanto trabalho e dinheiro moldavam minha vida de formas que eu não tinha consciência… e talvez por isso mesmo eu tenha mergulhado tão fundo nesses temas.
É como você disse: são assuntos centrais, mas tão capturados por narrativas alheias que acabamos nos afastando do que realmente importa. Tomara que o livro consiga aprofundar ainda mais essas reflexões.