{"id":2046,"date":"2025-11-19T08:00:00","date_gmt":"2025-11-19T08:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/aposentadaaostrinta.com.br\/?p=2046"},"modified":"2025-11-19T01:00:56","modified_gmt":"2025-11-19T01:00:56","slug":"a-confusao-da-prosperidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aposentadaaostrinta.com.br\/blog\/a-confusao-da-prosperidade\/","title":{"rendered":"A confus\u00e3o da prosperidade"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu nunca tive Instagram pessoal. Tive Orkut, Facebook. Mas lembro que, em algum momento do meu mestrado, por volta de 2011, decidi deletar meu Facebook depois de perceber algo simples: acompanhar a vida das pessoas dessa forma me fazia infeliz. Minha vida como mestranda em Economia na USP n\u00e3o tinha nada de glamourosa. Eu s\u00f3 estudava \u2014 e, em qualquer tempo livre, o que eu queria mesmo era descansar. Em muitos s\u00e1bados \u00e0 noite, eu jantava com meu pai ou ficava de vela assistindo a algum filme com minha irm\u00e3 e meu cunhado. Ent\u00e3o, entrar no Facebook e ver as pessoas indo a festas e se divertindo me deixava culpada por s\u00f3 querer descansar em casa num s\u00e1bado \u00e0 noite.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu sabia o que estava fazendo com a minha vida. Aquele mestrado era parte de um projeto que fazia sentido para mim na \u00e9poca. E foi gra\u00e7as a ele que consegui bons empregos como economista no mercado financeiro \u2014 o que ajudou muito a me aposentar cedo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E, talvez, ter sa\u00eddo do Facebook e nunca ter entrado no Instagram tenha contribu\u00eddo muito para que eu me mantivesse firme nos meus objetivos (inclusive o de parar de gastar 100% do meu sal\u00e1rio).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">At\u00e9 que decidi criar este blog e divulgar o movimento FIRE pelo Brasil. \u00c9 dif\u00edcil definir exatamente o motivo por tr\u00e1s das nossas escolhas, mas um motivo leg\u00edtimo \u00e9 que eu sempre me senti muito sozinha na forma como decidi lidar com o dinheiro: vivendo uma vida simples, mas com muito dinheiro no banco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando comecei a divulgar o blog, foi natural que as pessoas me incentivassem a criar uma <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/aposentadaaostrinta\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"\">p\u00e1gina no Instagram.<\/a> E, na \u00e9poca, eu estava come\u00e7ando com meu novo trabalho de planejamento financeiro e pensei que isso tamb\u00e9m poderia me ajudar a atrair novos clientes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como eu estava praticamente h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada longe das redes sociais, comecei a pesquisar sobre como ter uma p\u00e1gina de sucesso no Instagram. E voc\u00eas j\u00e1 devem imaginar o que apareceu: marketing digital, funil de vendas, engajamento. S\u00f3 que eu mal consegui ler um livro inteiro sobre o tema. Aquilo come\u00e7ou a me causar um mal-estar tremendo \u2014 e eu mal conseguia explicar o porqu\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas, num momento de pura lucidez, pensei: \u201cLilian, voc\u00ea n\u00e3o precisa disso!\u201d. E eu realmente n\u00e3o precisava. O que eu queria era ter um blog, um espa\u00e7o para compartilhar meus pensamentos sobre dinheiro, consumo e investimentos \u2014 e, no processo, refor\u00e7ar as minhas convic\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 claro que seria \u00f3timo se algu\u00e9m lesse o que eu escrevo aqui. Mas, de alguma forma, pelo boca a boca com pessoas que eu j\u00e1 conhecia da comunidade, voc\u00eas come\u00e7aram a aparecer. Aos poucos, muito lentamente. Mas sinto que quem est\u00e1 aqui, est\u00e1 presente de verdade. E que, se eu n\u00e3o tentar vender nenhuma solu\u00e7\u00e3o milagrosa (e falha), voc\u00eas ficar\u00e3o aqui por um bom tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 consultoria, percebi que entrar nessa l\u00f3gica do marketing digital n\u00e3o faria sentido para mim. Minha consultoria n\u00e3o tem escalabilidade. \u00c9 um processo quase artesanal, com pouco modelo pronto \u2014 e eu gosto assim. Hoje, os clientes chegam muito mais por indica\u00e7\u00e3o de antigos clientes ou de leitores deste blog. A maioria dos leitores diz: \u201ceu leio voc\u00ea h\u00e1 anos\u201d. Ent\u00e3o, parece que demoro anos para converter leitores em clientes \u2014 algo que muita gente diria ser uma \u201cfalha no meu modelo de neg\u00f3cios\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 claro que o dinheiro extra que ganho com as consultorias \u00e9 muito bem-vindo. Isso, sem d\u00favidas, fortalece meus planos de nunca mais ter um emprego corporativo. Mas decidi n\u00e3o entrar nessa l\u00f3gica doida de buscar escalabilidade, ter muitos clientes e, quem sabe, ganhar milh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 estou convencida de que <a href=\"https:\/\/aposentadaaostrinta.com.br\/e-se-eu-tivesse-3-vezes-mais\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"E se eu tivesse 3 vezes mais?\">n\u00e3o preciso de muito dinheiro<\/a> para ser feliz. Ter uma vida com poucos custos fixos, poucos clientes, um blog com poucos leitores \u2014 mas muito tempo livre \u2014 \u00e9 um equil\u00edbrio que faz mais sentido para mim.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se tudo o que escrevi nesse longo desabafo inicial te parece um \u201cdiscurso de escassez\u201d, que eu estou \u201cvibrando em pobreza\u201d, ent\u00e3o talvez seja hora de refletirmos juntos sobre porque tudo isso soa estranho nos dias de hoje.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Um casal de coachs da prosperidade<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Teve uma vantagem, que eu reconhe\u00e7o, em voltar para as redes sociais: poder rever alguns amigos antigos. \u00c9 muito legal encontrar pessoas que j\u00e1 fizeram parte da minha vida em algum momento. Mas eu n\u00e3o me iludo, e n\u00e3o \u201csigo\u201d essas pessoas. Entro na p\u00e1gina, vejo as fotos, \u00e0s vezes fico feliz de ver que a pessoa est\u00e1 genuinamente bem. Depois esque\u00e7o e sigo a minha vida. Minhas amigas sabem que eu n\u00e3o estou nas redes para curtir tudo que elas postam \u2014 prefiro saber sobre a vida delas pessoalmente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E esses dias, lembrei de um casal de irm\u00e3os que estudava no mesmo col\u00e9gio que eu. O col\u00e9gio era na Zona Sul e, como n\u00f3s tr\u00eas mor\u00e1vamos na Zona Norte, eles eram minha companhia di\u00e1ria no metr\u00f4 de volta para casa. Eu adorava esse casal. Eram divertidos, n\u00e3o iam muito bem na escola, mas levavam a vida de forma leve. E lembro que eram muito ambiciosos. Recordo que, quando disse que tinha decidido fazer Economia, o irm\u00e3o me deu um conselho: \u201cisso n\u00e3o d\u00e1 dinheiro!\u201d. N\u00e3o lembro exatamente os argumentos dele, mas lembro da frase. \u00c9 sempre dif\u00edcil decidir fazer algo que seus amigos pr\u00f3ximos desaprovam \u2014 talvez por isso ela tenha ficado gravada na minha mem\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois do colegial, cada um seguiu seu caminho, e nunca mais nos vimos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando pesquisei os nomes deles no Instagram, vi que tinham p\u00e1ginas abertas, ambos com mais de 100 mil seguidores, e que agora trabalhavam juntos. A p\u00e1gina era cheia de v\u00eddeos de participa\u00e7\u00f5es em podcasts, eventos em que eram palestrantes, chamadas para novos encontros. As imagens eram de f\u00e9rias naquele mar das Maldivas; ela com o rosto perfeito, ele com o corpo perfeito. Outras fotos mostravam algo que parecia ser um jatinho particular. N\u00e3o demorou muito para eu perceber que eles tinham virado coachs da prosperidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A gente sabe desse fen\u00f4meno dos coachs, mas \u00e9 sempre chocante quando v\u00ea algu\u00e9m conhecido nesse papel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Talvez eu esteja c\u00e9tica demais, mas aquilo tudo me pareceu muito montado. Eu sei que <a href=\"https:\/\/www.hbomax.com\/br\/pt\/movies\/fake-famous-uma-experiencia-surreal-nas-redes\/ffb1ab3a-cc7d-4270-a1f8-82e70ee3e88c\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"\">existem empresas que montam cen\u00e1rios perfeitos<\/a> para voc\u00ea tirar fotos como se estivesse em um jatinho particular. Sei tamb\u00e9m que o rosto perfeito e o corpo perfeito s\u00e3o filtrados. E que hoje j\u00e1 h\u00e1 quem edite v\u00eddeos para parecer que est\u00e1 palestrando em um evento cheio de pessoas (que n\u00e3o s\u00e3o reais, se n\u00e3o ficou claro).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse mundo das apar\u00eancias, parece que esses coachs da prosperidade encarnam o estado mais puro dessa cultura de fingir ser aquilo que n\u00e3o se \u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E o mais interessante de refletir sobre eles \u00e9 perceber at\u00e9 que ponto n\u00f3s, que tamb\u00e9m vivemos nesse mesmo mundo, estamos fingindo coisas que n\u00e3o somos, achando que isso \u00e9 o que d\u00e1 o tom da vida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma boa dose de reflex\u00e3o sobre esse fen\u00f4meno da prosperidade<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os coachs da prosperidade encontraram um terreno f\u00e9rtil: o de uma sociedade que j\u00e1 se cobra demais em produtividade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu j\u00e1 comentei aqui sobre o livro&nbsp;<em><a href=\"https:\/\/aposentadaaostrinta.com.br\/a-sociedade-do-cansaco\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"A sociedade do cansa\u00e7o\">A Sociedade do Cansa\u00e7o<\/a><\/em>. A tese principal \u00e9 que hoje n\u00e3o somos mais \u201cexplorados\u201d pelos outros, mas por n\u00f3s mesmos. O \u201cempres\u00e1rio de si\u201d se cobra produtividade, efici\u00eancia e sucesso como um dever moral \u2014 algo que ele&nbsp;<em>deve<\/em>&nbsp;fazer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E a gente cai f\u00e1cil nesse discurso porque somos seres carentes de sentido. Antes a religi\u00e3o preenchia essa necessidade dizendo \u201cs\u00f3 aguenta essa vida ruim, porque a vida boa mesmo \u00e9 depois disso\u201d. Mas hoje, parece que querem preencher esse nosso desejo com a promessa de que \u201cvoc\u00ea&nbsp;<em>tem<\/em>&nbsp;que ser feliz nesta vida\u201d. Continuamos querendo acreditar que h\u00e1 algo maior guiando nossa exist\u00eancia \u2014 mas esse \u201calgo maior\u201d agora se chama \u201cmentalidade de crescimento\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 a\u00ed que entra o discurso do \u201cvoc\u00ea cria a sua realidade\u201d ou \u201catrai o que vibra\u201d. Essa narrativa \u00e9 a vers\u00e3o espiritual da meritocracia: se voc\u00ea n\u00e3o prospera, \u00e9 porque n\u00e3o tem \u201cmentalidade de abund\u00e2ncia\u201d. O fracasso \u00e9 sempre culpa sua \u2014 nunca do acaso, das circunst\u00e2ncias ou das cartas que te foram dadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O duro \u00e9 que n\u00e3o estamos 100% no controle. E, quando isso falha, vem o sofrimento. Mas se antes o sofrimento era o pre\u00e7o a se pagar (como no cristianismo tradicional), agora ele \u00e9 interpretado como um \u201cbloqueio mental\u201d. N\u00e3o h\u00e1 mais trag\u00e9dia, acaso ou injusti\u00e7a estrutural \u2014 apenas vibra\u00e7\u00e3o errada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E n\u00f3s n\u00e3o desistimos, afinal, o coach da prosperidade est\u00e1 l\u00e1, nas redes sociais, esfregando na nossa cara que \u00e9 poss\u00edvel. Porque, se quem n\u00e3o prospera se sente culpado, quem prospera se&nbsp;<em>sente<\/em>&nbsp;moralmente superior. E se o valor da exist\u00eancia depende de resultados, quem tem sucesso tamb\u00e9m precisa exibir resultados para continuar se sentindo vivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, ele faz quest\u00e3o de repetir que veio \u201cde baixo\u201d e prosperou. Que, se voc\u00ea seguir o m\u00e9todo certo, fizer o curso certo, der s\u00f3 mais um passo, tamb\u00e9m chegar\u00e1 l\u00e1. A promessa da prosperidade \u00e9 o milagre moderno \u2014 n\u00e3o mais concedido por Deus, mas pelos algoritmos, pelo&nbsp;<em>mindset<\/em>&nbsp;e pela \u201cvibra\u00e7\u00e3o qu\u00e2ntica\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E assim criamos uma enorme d\u00edvida conosco mesmos: a de n\u00e3o sermos tudo o que poder\u00edamos ser.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A consequ\u00eancia mais imediata \u00e9 psicol\u00f3gica. O sofrimento passa a ser visto como fracasso pessoal. Se a mensagem central \u00e9 \u201cvoc\u00ea cria a sua realidade\u201d, ent\u00e3o pobreza, doen\u00e7a ou infelicidade deixam de ser aspectos inevit\u00e1veis da vida e passam a ser falhas de vibra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E o pior: o principal produto que as pessoas est\u00e3o vendendo s\u00e3o elas mesmas. Se antes o fim de uma empresa representava apenas a perda de uma parte da vida do empres\u00e1rio, hoje pode significar o fim&nbsp;<em>da pr\u00f3pria vida<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Talvez esse seja o tom do livro&nbsp;<em><a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Deaths-Despair-Future-Capitalism-Anne\/dp\/069119078X\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"\">Deaths of Despair and the Future of Capitalism<\/a><\/em>, que investiga o aumento alarmante das \u201cmortes do desespero\u201d \u2014 suic\u00eddios, overdoses e doen\u00e7as relacionadas ao \u00e1lcool \u2014 principalmente entre a popula\u00e7\u00e3o branca, de classe m\u00e9dia e baixa, nos Estados Unidos. \u00c9 uma consequ\u00eancia realmente tr\u00e1gica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Vida pr\u00f3spera ou miser\u00e1vel?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Recentemente ouvi algu\u00e9m dizer que \u201c\u00e9 mais f\u00e1cil imaginar o fim do mundo do que o fim do coaching\u201d. Ent\u00e3o, meus caros leitores, parece que sobrou para n\u00f3s o trabalho duro de nos proteger dessa profunda distor\u00e7\u00e3o do que \u00e9 prosperidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um exerc\u00edcio que me ajuda \u00e9 imaginar a vida dessas pessoas. Toda essa performance d\u00e1 trabalho \u2014 e muito. Fiquei pensando no tempo que meus antigos colegas, agora coachs, devem gastar por dia fazendo maquiagem, cabelo, escolhendo o que v\u00e3o vestir. Gravando v\u00eddeos, pegando tr\u00e2nsito, dando palestras \u00e0 noite. O tempo gasto com reuni\u00f5es de equipe, sess\u00f5es de fotos, venda de cursos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Talvez eles nem sequer tenham todo esse sucesso material que exibem (e provavelmente n\u00e3o t\u00eam). Mas, mesmo que tivessem \u2014 isso \u00e9 uma vida pr\u00f3spera?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro dia me mandaram um v\u00eddeo de um influenciador de finan\u00e7as bem famoso. Fazia tempo que eu n\u00e3o entrava no canal dele, e resolvi dar uma olhada no que ele anda fazendo ultimamente. Vi que come\u00e7ou uma s\u00e9rie nova em que algu\u00e9m o filma ao longo do dia enquanto ele toma decis\u00f5es de\u00a0<em>trading<\/em>\u00a0no celular. A frequ\u00eancia de v\u00eddeos no canal dele chega a ser assustadora.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em um dos v\u00eddeos, ele estava em uma cama de hospital (n\u00e3o sei o motivo, mas claramente era o paciente), enquanto algu\u00e9m o filmava comprando R$1 milh\u00e3o em a\u00e7\u00f5es de uma empresa. E a \u00fanica coisa em que eu conseguia pensar era:&nbsp;<em>que vida miser\u00e1vel!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu nunca tive Instagram pessoal. Tive Orkut, Facebook. 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