{"id":2023,"date":"2025-08-06T13:52:54","date_gmt":"2025-08-06T13:52:54","guid":{"rendered":"https:\/\/aposentadaaostrinta.com.br\/?p=2023"},"modified":"2025-08-06T13:52:56","modified_gmt":"2025-08-06T13:52:56","slug":"os-perigos-da-ostentacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aposentadaaostrinta.com.br\/blog\/os-perigos-da-ostentacao\/","title":{"rendered":"Os perigos da ostenta\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Recentemente, uma amiga me disse: &#8220;Eu leio seu blog, mas n\u00e3o concordo com o que voc\u00ea escreve sobre dinheiro e felicidade. Tenho certeza de que, quando eu comprar um carro X, serei feliz. N\u00e3o pelo carro em si, mas porque essa compra vai ser um s\u00edmbolo importante de que eu cheguei l\u00e1, que tive sucesso na vida. E a\u00ed, sim, estarei feliz!&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uau. Essa frase carrega tantas ideias pr\u00e9-concebidas que me peguei refletindo por dias. Tentei debater ali mesmo, mas fomos interrompidas pelas interfer\u00eancias t\u00edpicas de um evento social. Fiquei com a vontade de continuar aquela conversa \u2014 nem que fosse s\u00f3 comigo mesma. Por sorte, tenho este blog onde posso fazer exatamente isso: destrinchar pensamentos como esse, com o b\u00f4nus de que a reflex\u00e3o n\u00e3o fica s\u00f3 entre mim e ela, mas alcan\u00e7a milhares de pessoas (sim, esse blog j\u00e1 est\u00e1 chegando a milhares de leitores \u2014 e sim, estou ostentando esse feito como s\u00edmbolo do meu sucesso como escritora de finan\u00e7as pessoais. Toque ir\u00f4nico? Talvez).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que mais me chamou a aten\u00e7\u00e3o na provoca\u00e7\u00e3o da minha amiga \u00e9 que ela n\u00e3o justificou a compra do carro pelo conforto, como costumam fazer. Se fosse esse o argumento, eu teria respondido com mais facilidade \u2014 j\u00e1 passei um bom tempo refletindo sobre como o excesso de conforto, paradoxalmente, pode tornar a vida pior (inclusive escrevi sobre isso\u00a0neste <a href=\"https:\/\/aposentadaaostrinta.com.br\/a-crise-do-conforto\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"A crise do conforto\">post aqui<\/a>).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas o ponto dela era outro. Ela n\u00e3o estava falando de utilidade, estava falando de status. O carro, para ela, \u00e9 um s\u00edmbolo. Um marco. Uma forma de dizer ao mundo \u2014 e a si mesma \u2014 que venceu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse \u00e9 o ponto mais perigoso da ostenta\u00e7\u00e3o: ela n\u00e3o tem a ver com necessidade, nem com gosto pessoal. Tem a ver com o que os outros v\u00e3o pensar. E mais do que isso \u2014 com o que a gente&nbsp;<em>acha<\/em>&nbsp;que os outros v\u00e3o pensar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ostenta\u00e7\u00e3o vive da compara\u00e7\u00e3o. Ela se alimenta da ideia de que, para sermos algu\u00e9m, precisamos mostrar que temos&nbsp;<em>algo<\/em>. E esse \u201calgo\u201d precisa ser vis\u00edvel, reconhec\u00edvel e, preferencialmente, caro. N\u00e3o basta ser feliz \u2014 \u00e9 preciso parecer feliz. N\u00e3o basta ter estabilidade \u2014 \u00e9 preciso mostrar conquistas tang\u00edveis, instagram\u00e1veis, de prefer\u00eancia com logotipo \u00e0 mostra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas viver uma vida pautada pela necessidade de ostenta\u00e7\u00e3o tem seus perigos, e \u00e9 sobre isso que eu quero falar aqui. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Perigo 1 \u2013 N\u00e3o conseguir ostentar<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vamos supor que minha amiga esteja certa: que a compra do carro X realmente traga felicidade. Mas&#8230; e se ela nunca conseguir comprar esse carro?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse \u00e9 o primeiro grande perigo da ostenta\u00e7\u00e3o: ela pressup\u00f5e que voc\u00ea vai ter dinheiro suficiente para manter esse jogo. E isso, sejamos honestos, est\u00e1 longe de ser garantido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pode ser que ela nunca consiga comprar o tal carro. E a\u00ed? A vida dela ser\u00e1 uma merda?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse \u00e9 o problema de atrelar a pr\u00f3pria felicidade a s\u00edmbolos de sucesso. Ter dinheiro o suficiente para ostentar n\u00e3o \u00e9 garantido. A sociedade est\u00e1 cheia de f\u00f3rmulas prontas de sucesso \u2014 estude isso, invista naquilo, siga este m\u00e9todo infal\u00edvel \u2014 mas a verdade \u00e9 que muitas dessas f\u00f3rmulas s\u00e3o fal\u00edveis. Algumas vezes, simplesmente n\u00e3o funcionam. E nem sempre a culpa \u00e9 sua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ali\u00e1s, muita gente j\u00e1 me pediu aqui no blog para falar mais sobre como ganhar mais, como investir com estrat\u00e9gias mais sofisticadas, como encontrar alternativas mais rent\u00e1veis que o Tesouro Direto. E eu entendo esse desejo. Mas o que muita gente ignora \u00e9 que, no meio do caminho, existe um fator inc\u00f4modo e incontrol\u00e1vel: a sorte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 claro que voc\u00ea precisa fazer a sua parte. Meu pai adora repetir que \u201csorte \u00e9 o encontro da compet\u00eancia com a oportunidade\u201d. Concordo com ele. Voc\u00ea deve, sim, correr atr\u00e1s. Estudar, se desenvolver, se capacitar. Fazer o que precisa ser feito. Porque sem compet\u00eancia, mesmo que a sorte passe na sua frente, voc\u00ea n\u00e3o vai estar pronto para agarr\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas&#8230; e se a oportunidade n\u00e3o vier?<br>E se voc\u00ea fizer tudo certo e, mesmo assim, n\u00e3o estiver no lugar certo, na hora certa?<br>E se a vaga de diretor nunca surgir?<br>E se o mercado virar justo quando voc\u00ea come\u00e7a a aplicar naquela estrat\u00e9gia mirabolante que deu certo no passado?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se sua vida s\u00f3 fizer sentido quando \u2014 e&nbsp;<em>se<\/em>&nbsp;\u2014 voc\u00ea alcan\u00e7ar o padr\u00e3o de consumo que idealizou como \u201csucesso\u201d, h\u00e1 uma boa chance de voc\u00ea viver frustrado. Ou endividado. Ou exausto tentando manter as apar\u00eancias. Nenhum desses caminhos parece especialmente seguro ou feliz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 por isso que ostentar como prova de felicidade \u00e9 uma armadilha. Voc\u00ea joga tudo em um n\u00famero e torce para dar certo. Mas e se n\u00e3o der?<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Perigo 2 \u2013 Conseguir<\/strong><strong>&nbsp;<\/strong><strong>ostentar e ainda sentir o vazio<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas pior ainda: pode ser que ela consiga comprar o carro. E, mesmo assim, a vida dela continue uma merda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Talvez, quando finalmente tiver o carro X, ela j\u00e1 esteja sonhando com o carro Y. (Ali\u00e1s, j\u00e1 escrevi sobre isso <a href=\"https:\/\/aposentadaaostrinta.com.br\/consumo-e-alegria-temporaria\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"Consumo \u00e9 alegria\u00a0tempor\u00e1ria\">aqui no blog.<\/a>) Ou talvez, ao alcan\u00e7ar esse s\u00edmbolo de sucesso, ela perceba que as pessoas que ela queria impressionar j\u00e1 subiram mais um degrau. E ela segue atr\u00e1s, correndo para manter o ritmo, tentando alcan\u00e7ar um novo patamar de valida\u00e7\u00e3o que, de novo, estar\u00e1 um pouco al\u00e9m do alcance.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O problema \u00e9 que fomos ensinados a ver a vida como uma escada: degraus, metas, checkpoints. Cada conquista deveria nos trazer satisfa\u00e7\u00e3o, mas o que geralmente acontece \u00e9 o contr\u00e1rio \u2014 cada etapa vencida nos empurra para a pr\u00f3xima. Nunca h\u00e1 descanso real, nunca h\u00e1 pouso. A chegada \u00e9 sempre provis\u00f3ria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 como a linha do horizonte: por mais que a gente nade, ela nunca se aproxima.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O desejo, por defini\u00e7\u00e3o, nasce da falta. A gente s\u00f3 deseja o que ainda n\u00e3o tem. E quando finalmente conquista aquilo que parecia essencial, o desejo se desloca para outro objeto. \u00c9 um mecanismo autom\u00e1tico, quase cruel. O desejo n\u00e3o se sacia. Ele substitui.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ent\u00e3o, mesmo que ela consiga comprar o carro, isso talvez s\u00f3 inaugure uma nova fase do vazio: agora ela precisa de uma casa maior, uma bolsa de grife, uma viagem exclusiva, uma escola mais cara para os filhos. E l\u00e1 vai ela, com o carro dos sonhos na garagem&#8230; e um novo buraco para preencher.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Perigo 3 \u2013&nbsp;<\/strong><strong>A ostenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o salva ningu\u00e9m<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E mesmo que ela siga por esse caminho \u2014 que ela continue comprando carros e tudo o mais para conseguir impressionar a todos, que ela chegue ao topo do consumismo e da ostenta\u00e7\u00e3o \u2014 a vida dela tamb\u00e9m pode ser uma merda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu nunca estive no topo do consumismo, mas posso afirmar isso com base nos relatos de quem j\u00e1 esteve l\u00e1. Esse <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=wAbldc2foEs\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"\">epis\u00f3dio do Cl\u00f3vis de Barros<\/a> foi maravilhoso nesse sentido. Ele come\u00e7ou dizendo que, se voc\u00ea fizer uma pesquisa de senso comum sobre o que \u00e9 uma vida boa, \u00e9 bem poss\u00edvel que a maioria responda com dois elementos: ser rico ou ser famoso (de prefer\u00eancia, os dois). Ou seja, o maior s\u00edmbolo de sucesso na vida seria ser rico e famoso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E a melhor forma de mostrar que esses elementos n\u00e3o s\u00e3o condi\u00e7\u00f5es\u00a0nem<em> necess\u00e1rias, <\/em>nem<em> suficientes<\/em>\u00a0para uma vida boa \u00e9 se perguntar:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(i) Existem pessoas ricas e famosas infelizes?<br>(ii) Existem pessoas que n\u00e3o s\u00e3o ricas nem famosas, mas que s\u00e3o felizes?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vou come\u00e7ar pela segunda. E a resposta, provavelmente, \u00e9 clara para a maioria de voc\u00eas. Pessoas que, claro, conseguem ter dinheiro o suficiente para garantir o m\u00ednimo de dignidade da vida, mas que n\u00e3o s\u00e3o ricas nem famosas, podem sim ser felizes. Voc\u00ea provavelmente consegue pensar em meia d\u00fazia de pessoas que j\u00e1 cruzaram o seu caminho, que vivem de forma muito mais simples que voc\u00ea, e que demonstram aquela alegria de viver que \u00e9 incontest\u00e1vel \u2014 seria imposs\u00edvel dizer que elas n\u00e3o vivem bem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas a resposta para a primeira \u00e9 ainda mais tocante. O professor n\u00e3o quis citar nomes, mas trouxe a seguinte ideia: voc\u00ea consegue pensar em algum ator de Hollywood \u2014 o s\u00edmbolo m\u00e1ximo de riqueza e fama nos dias atuais \u2014 que j\u00e1 cometeu suic\u00eddio?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se o suic\u00eddio \u00e9 a express\u00e3o m\u00e1xima da infelicidade, de que a vida perdeu toda a raz\u00e3o de ser, de que n\u00e3o h\u00e1 mais prazer ou alegria poss\u00edvel e que a \u00fanica op\u00e7\u00e3o \u00e9 desistir dela, ent\u00e3o \u00e9 perfeitamente plaus\u00edvel imaginar que essa pessoa, mesmo rica e famosa, era profundamente infeliz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse argumento, para mim, matou a pau o racioc\u00ednio. A eterna discuss\u00e3o sobre se o dinheiro traz ou n\u00e3o felicidade. O fato de pessoas ricas cometerem suic\u00eddio \u00e9 um forte indicativo de que o dinheiro\u00a0n\u00e3o \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o <em>suficiente<\/em>\u00a0para se viver bem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando comecei meu caminho para a independ\u00eancia financeira, eu j\u00e1 desconfiava de que ter dinheiro o suficiente para comprar bens materiais \u2014 s\u00f3 porque eles seriam s\u00edmbolos de uma vida bem-sucedida \u2014 n\u00e3o era o caminho. Esse racioc\u00ednio do professor, com certeza, \u00e9 uma \u00f3tima confirma\u00e7\u00e3o da minha suspeita.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Ostentando uma vida boa<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu confesso que ainda estou em busca do que de fato constitui uma vida boa. E esse tem sido o ponto que mais me atrai na filosofia. Por enquanto, ainda n\u00e3o encontrei uma resposta definitiva \u2014 e, em breve, devo escrever pelo menos sobre as respostas interessantes (embora n\u00e3o suficientes) que j\u00e1 descobri.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro dia, meu pai me confidenciou que se preocupa com o fato de eu ter conquistado \u201ctudo\u201d muito cedo. Casei antes dos 30, comprei meu primeiro apartamento aos 27, atingi a independ\u00eancia financeira aos 33. E com o fato de que eu n\u00e3o pare\u00e7o ter mais metas financeiras na vida. Vivo bem sem carro, no meu apartamento simples. Segundo ele, isso poderia me deixar&#8230; meio perdida. Sem uma nova ambi\u00e7\u00e3o para me guiar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas eu respondi que, se as conquistas que j\u00e1 tive me ensinaram algo, foi justamente a parar de desejar compulsivamente \u2014 e come\u00e7ar, finalmente, a viver.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sim, \u00e9 estranho. Porque a l\u00f3gica do desejo \u00e9 t\u00e3o enraizada que a gente n\u00e3o sabe muito bem o que fazer quando ele some. Se n\u00e3o estou correndo atr\u00e1s de nada, ser\u00e1 que estou parada? Estagnada? Ou ser\u00e1 que, pela primeira vez, estou mesmo presente?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Muita gente me pergunta:&nbsp;<em>Onde voc\u00ea quer chegar com o blog? Qual sua estrat\u00e9gia para atrair mais leitores? Ele vai virar podcast? Um canal no YouTube? Vai lan\u00e7ar curso?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 claro que, como eu disse no come\u00e7o do post, eu j\u00e1 posso ostentar que esse blog atinge milhares de pessoas. Poucas milhares, \u00e9 verdade, mas ainda assim milhares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas a\u00ed me lembro do porqu\u00ea comecei a escrever. Escrevo porque gosto de escrever. Porque esse espa\u00e7o me alegra, me organiza, me conecta. Porque \u00e9 o espa\u00e7o que me permite responder \u00e0 minha amiga mesmo depois de passados dias da nossa conversa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No fundo, esse blog \u00e9 \u00fatil na minha vida n\u00e3o pelo que ele pode virar, mas pelo que ele j\u00e1 \u00e9. N\u00e3o pelo p\u00fablico que talvez chegue um dia \u2014 e com o qual eu possa ostentar uma conta no Instagram com muitos seguidores \u2014 mas pelas pessoas que j\u00e1 est\u00e3o aqui agora, lendo este texto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa mudan\u00e7a de perspectiva \u2014 da expectativa para o apre\u00e7o \u2014 me ajudou muito a atingir a independ\u00eancia financeira. E me ajuda ainda mais a viv\u00ea-la com leveza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como eu disse, n\u00e3o vou me atrever a definir o que \u00e9 a vida boa neste post. Mas sei dizer o que me sustenta hoje: a gratid\u00e3o pelos caminhos j\u00e1 percorridos. E a clareza de que a vida n\u00e3o precisa estar em expans\u00e3o constante para ser digna de ser vivida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Minha amiga tamb\u00e9m j\u00e1 tem uma vida cheia de beleza, conquistas, afetos. Sei reconhecer, de fora, tantas coisas que s\u00e3o s\u00f3 dela \u2014 e que j\u00e1 a tornam profundamente realizada, ainda que ela n\u00e3o perceba. O carro X n\u00e3o \u00e9 o que vai tornar sua vida mais valiosa aos meus olhos. O que conta \u00e9 aquilo que ela j\u00e1 construiu com coragem, com cuidado, com amor. S\u00e3o os momentos em que olho para ela e penso:&nbsp;<em>\u201ccomo ela est\u00e1 feliz!\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Talvez o desejo de ostentar continue a nos visitar. E tudo bem. Mas que ele n\u00e3o nos distraia do que j\u00e1 est\u00e1 aqui. E que a gente seja capaz de perceber que, de muitas formas, a gente j\u00e1 vive uma vida de sucesso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E voc\u00ea? Onde est\u00e1 sua felicidade? Ser\u00e1 que ela depende do pr\u00f3ximo passo, do pr\u00f3ximo s\u00edmbolo? Ou ser\u00e1 que j\u00e1 est\u00e1 a\u00ed, esperando para ser reconhecida?&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recentemente, uma amiga me disse: &#8220;Eu leio seu blog, mas n\u00e3o concordo com o que voc\u00ea escreve sobre dinheiro e felicidade. Tenho certeza de que, quando eu comprar um carro X, serei feliz. 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