{"id":1027,"date":"2024-05-29T08:00:00","date_gmt":"2024-05-29T08:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/aposentadaaostrinta.com.br\/?p=1027"},"modified":"2024-06-04T21:43:06","modified_gmt":"2024-06-04T21:43:06","slug":"a-crise-do-conforto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aposentadaaostrinta.com.br\/blog\/a-crise-do-conforto\/","title":{"rendered":"A crise do conforto"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Domingo passado, eu estava voltando para casa de \u00f4nibus quando um morador de rua entrou e se sentou ao meu lado. Ele tinha aquele odor t\u00edpico de algu\u00e9m que n\u00e3o toma banho h\u00e1 um bom tempo. Meu impulso foi me levantar e sair do \u00f4nibus, xingando-me internamente por n\u00e3o ter pego um Uber. Afinal, desde que o prefeito decidiu zerar a cobran\u00e7a dos \u00f4nibus aos domingos, isso tem sido cada vez mais frequente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas eu decidi ficar. Aquilo estava totalmente fora da minha zona de conforto, e eu senti que precisava passar por isso. Permaneci at\u00e9 o final do trajeto, concentrando-me em respirar pela boca ao inv\u00e9s do nariz. E qual n\u00e3o foi o meu al\u00edvio quando finalmente desci do \u00f4nibus, cheguei em casa e pude tomar um banho cheiroso e relaxante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ponto aqui \u00e9 que esse banho n\u00e3o teria tido o mesmo valor se eu tivesse pego um Uber. Ele foi muito valioso para mim porque passei pela situa\u00e7\u00e3o desconfort\u00e1vel de me sentar ao lado de um morador de rua no \u00f4nibus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu jamais teria topado ficar nesse \u00f4nibus se n\u00e3o estivesse lendo um livro novo, chamado <a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/s?k=a+crise+do+conforto&amp;adgrpid=147080071575&amp;hvadid=650424200149&amp;hvdev=c&amp;hvlocphy=1001773&amp;hvnetw=g&amp;hvqmt=e&amp;hvrand=8929794721267950536&amp;hvtargid=kwd-2008660462228&amp;hydadcr=12137_13330095&amp;tag=hydrbrgk-20&amp;ref=pd_sl_97kjlh37ei_e\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"\">A crise do Conforto<\/a>. Esse livro foi uma indica\u00e7\u00e3o de um leitor do blog, e eu recomendo fortemente para quem quer parar de olhar a vida pela \u00f3tica da priva\u00e7\u00e3o e come\u00e7ar a olhar pela \u00f3tica do excesso de conforto em que vivemos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">N\u00f3s n\u00e3o temos que ficar confort\u00e1veis o tempo todo<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O autor do livro fez uma expedi\u00e7\u00e3o ao Alasca ao longo de 33 dias, durante a qual experimentou diversas situa\u00e7\u00f5es de desconforto t\u00edpicas dos nossos antepassados. Ele enfrentou temperaturas extremas, passou fome enquanto esperava para ca\u00e7ar um animal para comer, dormiu de forma desconfort\u00e1vel e ficou isolado do resto do mundo, sem acesso \u00e0 internet.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s esse per\u00edodo de desconforto, quando finalmente voltou a uma situa\u00e7\u00e3o em que podia acessar comida facilmente e matar o t\u00e9dio com o celular, ele sentiu uma sensa\u00e7\u00e3o maravilhosa. Foi ao abrir m\u00e3o do conforto que ele passou a valoriz\u00e1-lo. O famoso \u201cs\u00f3 d\u00e1 valor quando perde\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante a maior parte do tempo, os seres humanos viveram no desconforto que o autor enfrentou durante os 33 dias de expedi\u00e7\u00e3o. Talvez at\u00e9 em um desconforto pior, sem roupas adequadas. E 99,99% da nossa evolu\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica veio da busca para escapar de situa\u00e7\u00f5es de desconforto para alcan\u00e7ar o conforto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O problema \u00e9 que hoje experimentamos pouco essa transi\u00e7\u00e3o. Vivemos no conforto a maior parte do tempo. Passamos a maior parte do tempo dentro de ambientes com temperatura controlada por ar-condicionado. Podemos pedir comida sentados no sof\u00e1 enquanto assistimos ao streaming. E nem mesmo permitimos o desconforto de ficarmos sozinhos com nossos pensamentos, j\u00e1 que vivemos nos distraindo com as redes sociais. At\u00e9 a conversa de elevador, uma situa\u00e7\u00e3o constrangedora, foi eliminada com a chegada dos smartphones.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">E quais s\u00e3o os riscos de uma vida sempre confort\u00e1vel?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O livro cita um conceito super interessante desenvolvido por pesquisadores de Harvard chamado \u201cmudan\u00e7a de conceito induzida pela preval\u00eancia\u201d. O nome \u00e9 complicado, e talvez eu n\u00e3o tenha feito uma boa tradu\u00e7\u00e3o do termo (eu li o livro em ingl\u00eas), mas ele representa um fen\u00f4meno psicol\u00f3gico que voc\u00ea provavelmente j\u00e1 experimentou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um bom exemplo \u00e9 o seguinte: imagine que uma cidade tem um problema com crimes, especialmente assaltos. O governo implementa v\u00e1rias medidas, como patrulhas policiais aumentadas e programas de conscientiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, que reduzem com sucesso a taxa de criminalidade geral. Como resultado, as pessoas podem come\u00e7ar a considerar comportamentos que antes eram vistos como delitos menores, como pequenos furtos, como problemas mais s\u00e9rios do que antes das interven\u00e7\u00f5es. Essa mudan\u00e7a na percep\u00e7\u00e3o acontece porque a preval\u00eancia de crimes graves diminuiu, levando a uma mudan\u00e7a no que constitui um problema significativo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse conceito \u00e9 super importante para entender a crise do conforto que vivemos. A busca por conforto \u00e9 importante, e nossa vida hoje \u00e9 a mais confort\u00e1vel de toda a hist\u00f3ria. Pessoas de classe m\u00e9dia, com acesso a esgoto encanado, vivem com mais conforto do que a corte real portuguesa quando veio morar no Brasil em 1808.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas a grande maioria das pessoas n\u00e3o enxerga isso. Poucas pessoas acham que a vida \u00e9 melhor agora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E por que? Porque estamos sempre mudando nossa meta. \u00c9 aquela velha hist\u00f3ria de \u201cdeixar a meta em aberto, mas dobrar a meta quando a gente chegar l\u00e1\u201d (perdoem a refer\u00eancia, mas n\u00e3o pude evitar a piada!).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa nossa mania de ver problema em tudo e querer sempre melhorar faz total sentido do ponto de vista evolutivo. No passado, quando o mundo era muito hostil e enfrent\u00e1vamos situa\u00e7\u00f5es de vida ou morte, antecipar problemas foi uma arma poderosa de sobreviv\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mas hoje, com uma vida bem mais confort\u00e1vel, passamos a enxergar problema onde n\u00e3o tem.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse ponto do livro, \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o pensar na nossa rela\u00e7\u00e3o atual com o celular. Ou melhor, com o smartphone.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se voc\u00ea ficar sem celular, seja porque foi roubado ou porque esqueceu em algum lugar, provavelmente vai sentir que tem um problema muito maior do que realmente tem. \u00c9 claro que navegar sem a ajuda do Google Maps ou se comunicar sem o WhatsApp fica muito mais dif\u00edcil, mas n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de vida ou morte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O autor do livro traz v\u00e1rias consequ\u00eancias interessantes sobre essa vida confort\u00e1vel, desde a crise de obesidade que enfrentamos hoje at\u00e9 a crise mental, com um n\u00famero recorde de pessoas diagnosticadas com depress\u00e3o ou ansiedade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas a discuss\u00e3o mais interessante para mim foi em rela\u00e7\u00e3o ao t\u00e9dio. Ele cita o dia 29 de junho de 2007 como o fim do t\u00e9dio. Esse foi o dia do lan\u00e7amento do iPhone.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dados s\u00e3o assustadores: <a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/atualidades\/brasileiros-passam-em-media-56-do-dia-em-frente-as-telas-de-smartfones-computadores\/#:~:text=S\u00e3o%20cerca%20de%2056%2C6,o%20computador%20ou%20um%20smartphone\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"\">os brasileiros passam em m\u00e9dia 9 horas por dia<\/a> em frente a telas de computador e celular. E imagino que, se a pesquisa inclu\u00edsse tempo de TV, o n\u00famero seria assustadoramente maior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O problema do fim do t\u00e9dio \u00e9 que as pessoas n\u00e3o passam mais tempo sozinhas com seus pr\u00f3prios pensamentos. Antes, quando a tecnologia n\u00e3o era t\u00e3o onipresente, frequentemente nos encontr\u00e1vamos em situa\u00e7\u00f5es em que n\u00e3o havia muito o que fazer, como por exemplo, esperar em uma fila, viajar em transporte p\u00fablico, ou at\u00e9 mesmo durante momentos de pausa no trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas <a href=\"https:\/\/aposentadaaostrinta.com.br\/tedio-e-consumismo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"T\u00e9dio e consumismo\">o t\u00e9dio \u00e9 importante<\/a>. Segundo o autor do livro, <strong>o t\u00e9dio significa \u201cfa\u00e7a alguma coisa\u201d.<\/strong> Quando ele estava ca\u00e7ando, percebeu que ca\u00e7ar significava passar 99,99% do tempo entediado e 0,01% do tempo com medo de morrer. E sua mente ficou extremamente criativa durante esse tempo. Provavelmente foi gra\u00e7as ao t\u00e9dio que evolu\u00edmos. Talvez tenha sido o t\u00e9dio de ca\u00e7ar (e n\u00e3o apenas o medo de morrer) que levou o homem a buscar na agricultura uma forma mais eficiente de se alimentar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O desconforto do t\u00e9dio nos tornou mais criativos e, consequentemente, nos fez avan\u00e7ar para formas mais produtivas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 claro que viver uma vida devota ao t\u00e9dio n\u00e3o \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o. O autor definitivamente n\u00e3o defende viver como nossos antepassados e queimar nossos celulares. A vida n\u00e3o era melhor quando est\u00e1vamos lutando pela nossa sobreviv\u00eancia boa parte do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que ele defende \u00e9 trazer um pouco de desconforto de volta \u00e0s nossas vidas. \u00c9 atingir um equil\u00edbrio perfeito entre conforto e desconforto.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O equil\u00edbrio perfeito<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A melhor analogia para demonstrar a import\u00e2ncia de sairmos da nossa zona de conforto, mas tamb\u00e9m sabermos descansar, \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o de m\u00fasculos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sou formada em ballet cl\u00e1ssico, amo dan\u00e7ar e, por muito tempo, sair para correr era a minha atividade f\u00edsica preferida. Acho que posso falar por muitas mulheres quando digo que, no in\u00edcio da minha vida adulta, o foco era muito mais em ser magra do que em ter m\u00fasculos. Isso fez com que eu priorizasse os exerc\u00edcios aer\u00f3bicos em detrimento da muscula\u00e7\u00e3o por muito tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas, em paralelo \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma vida mais independente do ponto de vista financeiro, eu tamb\u00e9m comecei a vislumbrar a constru\u00e7\u00e3o de uma vida melhor e mais longa para mim. Foi ent\u00e3o que percebi que fazer atividade f\u00edsica apenas com o objetivo de ter uma barriga perfeita era pouco \u00fatil, al\u00e9m de imposs\u00edvel para o meu biotipo. O alerta final veio de uma nutricionista que me disse: \u201cLilian, se voc\u00ea quer envelhecer bem, voc\u00ea precisa de m\u00fasculos!\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A primeira vez que fiz muscula\u00e7\u00e3o, mal conseguia andar no dia seguinte. Desesperada com a dor, pesquisei para entender o que estava acontecendo comigo e se aquilo era normal. Descobri que era, e que mais: aquele era um sinal positivo de que o exerc\u00edcio tinha sido bem feito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conforme fui aprendendo sobre a constru\u00e7\u00e3o de m\u00fasculos, percebi que o mais eficiente \u00e9 usar sobrecarga e \u201cestressar\u201d o m\u00fasculo. Depois do estresse, \u00e9 necess\u00e1rio descansar para que ele se recupere. E \u00e9 nessa recupera\u00e7\u00e3o que ele se fortalece. A constru\u00e7\u00e3o dos m\u00fasculos s\u00f3 acontece por conta de um equil\u00edbrio perfeito entre situa\u00e7\u00f5es de desconforto e situa\u00e7\u00f5es de conforto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ficar sentado em uma posi\u00e7\u00e3o confort\u00e1vel o tempo todo enfraquece o corpo. Mas tir\u00e1-lo da zona de conforto e depois descansar \u00e9 o que o fortalece. \u00c9 o desconforto mais o conforto que causa a mudan\u00e7a!<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>A crise do conforto e as nossas finan\u00e7as<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma das maiores cr\u00edticas que ou\u00e7o sobre <a href=\"https:\/\/aposentadaaostrinta.com.br\/o-movimento-fire\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"O movimento FIRE\">o movimento FIRE<\/a> (Financial Independence, Retire Early) \u00e9 que vivemos uma vida de priva\u00e7\u00e3o com o objetivo final de juntar algum patrim\u00f4nio, que costuma ser menor do que as pessoas acham necess\u00e1rio, e ent\u00e3o passamos a viver essa vida med\u00edocre para o resto da vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00f3 que os conceitos de \u201cpriva\u00e7\u00e3o\u201d e \u201cvida med\u00edocre\u201d s\u00e3o relativos. Talvez, para os membros da comunidade FIRE, priva\u00e7\u00e3o seja ter que trabalhar em um emprego que os faz infelizes. Talvez, para os cr\u00edticos, priva\u00e7\u00e3o seja n\u00e3o poder gastar 100% do sal\u00e1rio. Talvez, para os membros da comunidade FIRE, vida med\u00edocre seja deixar para curtir a vida apenas aos 60 anos de idade. Talvez, para os cr\u00edticos, vida med\u00edocre seja andar de bicicleta em vez de dirigir um carro importado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00f3 que o pulo do gato aqui \u00e9 que a nossa vida FIRE, aparentemente desconfort\u00e1vel, pode ser muito ben\u00e9fica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0s vezes, na ansiedade por antecipar nossa independ\u00eancia financeira, testamos os limites do nosso or\u00e7amento. Com qu\u00e3o pouco conseguimos viver por m\u00eas? Qual o m\u00e1ximo de desconforto que toleramos?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Voc\u00ea n\u00e3o precisa viver assim para sempre. Depois de viver com o m\u00ednimo por um tempo, pode decidir que essa vida \u00e9 muito desconfort\u00e1vel. E que tudo bem trabalhar mais alguns anos para adicionar um pouco de conforto. Ou arranjar <a href=\"https:\/\/aposentadaaostrinta.com.br\/voce-nao-vai-parar-de-trabalhar-na-aposentadoria-ainda-mais-se-for-jovem\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"Voc\u00ea n\u00e3o vai parar de trabalhar na aposentadoria (ainda mais se for jovem)\">outro tipo de trabalho que gere renda <\/a>durante a aposentadoria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas o ganho de saber que voc\u00ea consegue viver com pouco est\u00e1 l\u00e1. Voc\u00ea j\u00e1 provou que \u00e9 poss\u00edvel, apesar de desconfort\u00e1vel. E dependendo de qu\u00e3o radical foi no processo, aprende a valorizar os confortos simples. Voc\u00ea evita a crise do conforto. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Abaixo, listo uma s\u00e9rie de confortos dos quais abri m\u00e3o e, depois, introduzi de forma muito mais simples e dando muito mais valor:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Moradia<\/strong> &#8211; Durante 1 ano, <a href=\"https:\/\/aposentadaaostrinta.com.br\/viagem-de-trailer-pelo-brasil-por-1-ano\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"Viagem de trailer pelo Brasil por 1 ano\">vivi em um trailer de 6 m\u00b2,<\/a> onde t\u00ednhamos que nos preocupar com quest\u00f5es b\u00e1sicas como &#8220;teremos \u00e1gua ou energia o suficiente?&#8221; e &#8220;onde vamos descartar nosso esgoto?&#8221;. Hoje, divido um apartamento de 75 m\u00b2 com meu marido e brinco com as minhas amigas que me sinto em uma mans\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Transporte<\/strong> &#8211; Recentemente, meu marido pegou uma gripe chata e est\u00e1vamos pensando em como ir de \u00f4nibus para o m\u00e9dico (nosso padr\u00e3o), at\u00e9 que me lembrei de que poder\u00edamos simplesmente pegar um t\u00e1xi.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Cabeleireiro<\/strong> &#8211; Eliminei as idas frequentes ao sal\u00e3o de beleza da minha vida. Corto meu cabelo em casa e cuido sozinha das minhas unhas. Mas eu detestava tingir os cabelos. Hoje, volto ao sal\u00e3o s\u00f3 para isso e fico muito feliz de saber que posso pagar algu\u00e9m para colorir meus fios de cabelo branco enquanto leio um livro!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E voc\u00eas? Conseguem valorizar os pequenos confortos no dia a dia? Ou est\u00e3o presos na crise do conforto?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Domingo passado, eu estava voltando para casa de \u00f4nibus quando um morador de rua entrou e se sentou ao meu lado. Ele tinha aquele odor t\u00edpico de algu\u00e9m que n\u00e3o toma banho h\u00e1 um bom tempo. Meu impulso foi me levantar e sair do \u00f4nibus, xingando-me internamente por n\u00e3o ter pego um Uber. 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